Galera, segue abaixo uma documentação bacana sobre o IPV6 e sua história. Vale a pena conferir.
(Artigo retirado do site vivaolinux.com.br, escrito por Ricardo Lino Olonca)
O fim está próximo
No princípio, criou o analista a Internet. E a Internet era sem forma e vazia, apenas com 4 equipamentos. E foi a tarde e a manhã; o primeiro dia.
E fez o analista o IPv4, e viu que era bom. E foi a tarde e a manhã; o segundo dia.
E ligou o analista várias universidades à Internet, e viu que isso era bom. E foi a tarde e a manhã; o terceiro dia.
E fez o analista milhares de sites com muita informação interessante, e viu que isso era bom. E foi a tarde e a manhã; o quarto dia.
E acabou o analista com a guerra fria, e viu que isso era bom. E foi a tarde e a manhã; o quinto dia.
E liberou o analista o uso da internet para fins comerciais; e viu que isso era bom. E foi a tarde e a manhã; o sexto dia.
E colocou o analista todos os usuários na Internet. E disse: crescei e multiplicai, e enchei a Internet de todo tipo de material. Podereis fazer tudo, menos a Internet das coisas.
E viu que tudo era muito bom. E descansou o analista no sétimo dia.
Porém, os usuários não obedeceram ao analista e começaram a colocar todo tipo de equipamento na Internet. Desktops, Notebook, Tablets, Smartphones, geladeiras, televisões, relógios, etc. E viu o analista que a intenção do coração dos usuários era má, continuamente. E o analista disse, pelos seus profetas, que o IPv4 não iria aguentar. Mas, os usuários não deram ouvido, e criaram diversas formas para contornar o problema. Mascaramento, NAT, DHCP, reutilização de IPv4, etc.
Mas o analista avisou que isso não duraria muito tempo. E disse: enviarei o IPv6. E o IPv6 será a salvação da humanidade.
E o IPv6 veio, mas a maioria não o recebeu. Mas a todos que o receberam, deu-lhes o poder de serem chamados administradores de rede IPv6.
E perguntaram ao IPv6: que sinal haverá do fim do IPv4 e da vinda do IPv6?
E o IPv6 disse: haverá guerras e rumores de guerras virtuais, os administradores de rede ficarão estressados com o NAT, os usuários andarão na rua com seus Smartphones, olhando mensagens inúteis do Facebook e tropeçarão uns nos outros, o 3G estará congestionado com os vídeos do YouTube e as empresas andarão à procura de endereços IPv4, mas não encontrarão, a começar para região da Ásia.
Naquele dia, oferecerão uma grande quantia por um IPv4 e um alto salário para um analista que domine o IPv6. E quem não se converter certamente, morrerá.
E disse-lhes: pregai o IPv6 em todo o mundo. Fazei discípulos em toda a Terra. E o número de usuários IPv6 crescia. E profetizavam que o fim do IPv4 estava perto.
Quem tem ouvidos, ouça o que o analista diz aos usuários.
Eis que o IPv6 vem sem demora. Mas, lembre-se: se o pai de família soubesse a hora da noite que viria o ladrão, vigiaria e não o deixaria minar a sua casa. Da mesma forma, esteja preparado para que o IPv6 não te pegue desprevenido.
Introdução
Há algum tempo, escrevi uma série de artigos falando sobre o TCP/IP, mostrando desde o básico, até configurações avançadas. O objetivo era criar um guia passo a passo sobre redes com GNU/Linux, mostrando tanto a parte teórica, quanto a prática.
No primeiro artigo, comentei sobre a falta de endereços IPv4 e os motivos que levaram a esse problema, bem como as soluções adotadas para contorná-lo. Entre todas, a adoção do IPv6 é a única solução definitiva.
O IPv6 não é uma atualização do IPv4, é um protocolo totalmente novo. Por isso, sua implantação não é tão simples, porém, é obrigatória. Mais cedo ou mais tarde, você vai precisar implantá-lo.
Este documento tem como objetivo, ser um tutorial passo a passo contendo tanto a parte teórica, quanto a prática na adoção do IPv6 em equipamentos rodando GNU/Linux. Certamente, que não será abordado todo o vasto conteúdo sobre o assunto, mas deverá ser o suficiente para que você entenda como funciona o novo protocolo da Internet, como começar a utilizá-lo e como buscar por mais informações sobre essa nova tecnologia.
Parto do princípio de que o leitor já tem conhecimento em redes e no protocolo IPv4, bem como em GNU/Linux, e está acostumado a instalar e configurar interfaces de rede neste sistema operacional.
Aulas e palestras sobre IPv6
Há vários sites onde é possível conseguir documentação e até cursos online sobre o IPv6. O principal, no Brasil, é o ipv6.br. Este órgão, é o responsável pela adoção do protocolo no Brasil e tem muita documentação, vídeo aulas e cursos, tanto presenciais quanto online.
Um dos primeiros cursos que fiz sobre IPv6, foi no link: IPV6/apresentacao.htm . Nele, há uma apresentação muito interessante voltada para quem nunca mexeu com IPv6.
As duas primeiras partes são voltadas para o pessoal não técnico, enquanto as demais, são voltadas para profissionais de informática, principalmente, para aqueles que trabalham com rede.
Um outro site interessante, é o da Hurricane Eletronics. Nele, é possível fazer um curso prático online que envolve a implantação do IPv6, de sites que suportam o protocolo, DNS, E-mail e muitas outras coisas.
À medida que avança no curso, você vai ganhando certificados que variam do nível "novato" até "guru".
Diferenças entre IPv4 e IPv6
Vamos ver as principais diferenças entre os protocolos IPv4 e IPv6.
Endereçamento
O protocolo IPv4 tem 32 bits de endereçamento. Isso permite que 4 bilhões de dispositivos estejam diretamente conectados à Internet. Mas, a Internet caminha para ter tudo conectado nela: computadores, relógios, eletrodomésticos, e qualquer tipo de sistema eletrônico.
A Internet das coisas está em implantação. Porém, os 4 bilhões de endereços do protocolo atual, não permitem isso. O IPv6 possui 128 bits de endereçamento. Isso permite um número quase infinito de endereços. Para exemplificarmos isso, algumas analogias são usadas:
É possível atribuir 48 octilhões de endereços por habitante do mundo;
Cada micrômetro quadrado da Terra pode conter 4 bilhões de redes com 64 milhões de hosts cada uma;
Cada átomo da superfície da Terra, poderia conter cerca de 3 milhões de endereços IPs (considerando o átomo de hidrogênio).
Esses são alguns exemplos, que servem para demostrar a quantidade de endereços possíveis numa Internet IPv6.
Roteamento
No protocolo IPv6, a distribuição de endereços é hierárquica, ao contrário do que ocorre no IPv4. Com isso, a tabela de roteamento dos roteadores é bem menor, melhorando o desempenho. Também, é mais comum o uso de protocolos de roteamento dinâmicos, como o OSPF e BGP, ao contrário do RIP, que é muito usado em redes IPv4.
Cabeçalhos
O protocolo IPv4 possui cabeçalhos com 12 campos, com tamanhos que variam de 20 a 60 Bytes. Já o IPv6, contém cabeçalhos de apenas 8 campos com tamanho fixo de 40 Bytes.
Além disso, o IPv6 pode ter cabeçalhos de extensão para funções específicas. Esses cabeçalhos de extensão não são lidos pelos roteadores, a menos que isso seja realmente necessário.
Os demais cabeçalhos são lidos apenas pelo host destino. Isso torna o cabeçalho do IPv6 mais simples do que o do IPv4. Também é importante o fato do IPv6 ser quatro vezes maior do que o IPv4, mas ter o cabeçalho apenas duas vezes maior. Essas características fazem com que os roteadores consigam analisar o tráfego de IPv6 de forma mais eficiente, melhorando o desempenho.
IPsec
A implantação do protocolo de criptografia IPsec, usado principalmente em VPN, é opcional no protocolo IPv4. Já no IPv6, ele é obrigatório.
Porém, seu uso é opcional. Isso significa que, em caso de necessidade de criptografar o tráfego da rede, como numa VPN, isso pode ser feito diretamente no protocolo, sem a necessidade de softwares adicionais.
Resolução de endereço físico
No IPv4, os protocolos ARP e RARP, cuidam das resoluções de endereços físicos, conhecidos como MAC address. No IPv6, essa função foi transferida para o protocolo ICMP, o famoso ping.
Com isso, ARP e RARP foram descartados, enquanto que o ICMP passou a ter maior importância. Este último, passou a ser vital para o funcionamento da rede. Por isso, não é possível bloquear totalmente o tráfego ICMP, como era feito no IPv4.
Se você deseja bloquear uma função em especial, como o ping, deve-se bloquear apenas a função específica do ICMP, e não o protocolo todo, com risco do protocolo parar de funcionar. Na maioria dos caso, portanto, é aconselhável permitir o tráfego ICMP em uma rede IPv6.
Formas de configuração
Em uma rede IPv4, é possível fazer dois tipos de configuração: manual e automática. A configuração automática é feita através de um servidor DHCP. Há ainda uma opção, em que a estação de trabalho pode se configurar automaticamente usando um endereço aleatório da rede 169.254.0.0/16.
Porém, esta última forma não configura DNS e nem a rota padrão; portanto, ela nem é considerada.
No IPv6, além da configuração manual, que você verá que nem deverá ser usada na prática, existem duas outras formas de configuração: automática stateless e automática statefull.
Quando uma estação de trabalho IPv6 entra na rede, ela automaticamente gera um primeiro endereço chamado de Link Local, usando um endereço aleatório da rede fe80::/64 (semelhante a rede 169.254.0.0/16 do IPv4).
Com esse endereço, ela passa e perguntar quem são os roteadores e os DNS da rede. A estação também pode perguntar pelos endereços do site (semelhantes às rede 192.168.0.0/16, 10.0.0.0/8 e 172.16.0.0/20 do IPv4), bem como dos endereços disponíveis globalmente (que funcionam como os endereços públicos IPv4) e que serão usados para a comunicação da estação com o mundo.
Todo esse processo é transparente para a estação e pode ser usado quando não é necessário um controle sobre o processo de distribuição de IP.
Já a autoconfiguração statefull, requer um servidor DHCP, como no IPv4. Porém, pode-se fazer uma mistura entre o processo stateless e statefull, sendo que o servidor DHCP, pode fornecer apenas os endereços IP deixando para a estação descobrir os endereços dos DNS e dos roteadores.
Conflitos de IP
No IPv6, antes da estação configurar o IP, ela envia um pacote na rede perguntando se alguma outra estação já possui esse endereço. Se ela não receber nenhuma resposta, então, o endereço estará disponível para ser usado. Caso receba uma reposta, então, ela terá que usar outro endereço. Se a configuração for manual, a estação não conseguirá entrar na rede. Isso evita o conflito de IP.
NAT
NAT (Network Address Translator) é uma tecnologia que permite a equipamentos dentro da rede local acessar a Internet usando o IP público do gateway. Isso é muito comum hoje e retardou bastante a adoção do IPv6.
Porém, essa prática quebra o modelo fim-a-fim da Internet proposto desde o seu nascimento. Softwares de VPN e P2P podem não funcionar corretamente quando o host está atrás de um NAT. Quem trabalha com redes, sabe como é chato configurar estações para usarem NAT, principalmente quando estas precisam ser acessadas pela internet.
O IPv6 resolve o problema do NAT, simplesmente não implementando-o. Alguém poderá pensar que isso é uma falha de segurança, pois o cliente fica conectado diretamente na rede pública.
Isso não é verdade. Cada cliente possui um IPv6 público, mas, deve haver um Firewall e outros sistemas de segurança entre o cliente e a Internet, como acontece no IPv4. O NAT foi criado para funcionar como um paliativo à falta de endereços IPv4. Como o número de endereços IPv6 disponíveis é quase infinito, não vemos qualquer motivo para usar NAT. Aleluia!
Roaming
Com a mobilidade que possuímos hoje (e isso só vai aumentar), é normal você possuir um Smartphone conectado em rede Eireless da empresa e no momento seguinte, já estar conectado na rede 3G da operadora de telefonia.
O problema que isso acarreta, é a mudança de endereço IP do dispositivo móvel, acarretando na quebra de conexões. Com o IPv6, é possível mudar de uma rede para outra preservando o endereço IPv6. Como isso, as conexões não são perdidas. Agora sim, você pode ficar conectado o tempo todo!
Fragmentação de pacotes
Em uma comunicação através da Internet, os dados podem passar pelos mais variados tipos de rede. Cada um deles permite um tamanho máximo dos pacotes de dados.
Antes de enviar um dados pela rede, o nó precisa dividir o pacote em pedaços menores, para que caibam na rede em questão. Esse pacote, por sua vez, pode ainda ser dividido em novos fragmentos. Isso gera lentidão nos roteadores.
No IPv6, a fragmentação é feita somente na origem. Há mecanismos que permitem saber qual o menor tamanho máximo permitido em todo o trajeto. Os roteadores não fragmentam os dados. Isso melhora o desempenho.
QOS
Algumas aplicações, como VoIP e Stream, precisam ter um mínimo de banda disponível para que funcionem corretamente.
No IPv4, você precisa de softwares especiais para permitir que essas aplicações tenham essa banda garantida. A isso, chamamos de Qualidade de Serviço (Quality Of Service - QOS).
No IPv6, o QOS está implementado diretamente no protocolo; não há necessidade de softwares especiais para essa finalidade.
Tamanho do frame
O protocolo IPv4 permite um tamanho máximo para o frame de 1,5 Kb. No IPv6, o tamanho máximo é de 4 GB, embora, ainda não exista aplicação que se beneficie disso. Mas, num futuro próximo, o Jumbo Frame poderá agilizar as comunicações em rede.
Broadcast
No protocolo IPv4, quando uma estação quer descobrir um MAC address, ou um servidor DHCP, a estação envia um broadcast para a rede. Esse broadcast é recebido por todos os hosts.
A resolução de nomes NetBIOS, usada muito em redes Windows, também usa broadcast, principalmente, quando não há um servidor WINS. Quanto mais broadcast na rede, mais lenta ela será.
O IPv6 acaba com o broacast. Eu seu lugar ocorre o "anycast". O conceito é um pouco diferente, pois não usa, como no IPv4, o último endereço da rede para fazer broadcast.
O protocolo IPv6 possui um mecanismo que permite descobrir qual é o host mais próximo que atende a um certo requisito e que possui o mesmo prefixo IPv6. Um pacote anycast, será recebido apenas pelo host mais próximo.
Em outras palavras, em uma mesma rede, pode haver máquinas com prefixos diferentes. Um anycast só afetará as máquina do mesmo prefixo, ao contrário do que ocorre num broadcast IPv4.
Endereços de rede e de broadcast
Em uma VLAN IPv4, o primeiro e o último endereço são reservados para serem usados como Endereço de Rede e de Broadcast, respectivamente. No IPv6, isso não existe. Todos os endereços de uma VLAN podem ser usados.
Tamanho mínimo de uma VLAN
O tamanho mínimo para uma rede IPv4 é /30, onde temos 4 endereços de hosts. Excluindo-se, os endereços de rede e de broadcast, temos dois hosts possíveis nesta rede.
No IPv6, o recomendável é usar no mínimo um /64, pois, disso depende a autoconfiguração. Em outras palavras, uma rede IPv6 terá, no mínimo, 16 quintilhões de endereços disponíveis.
Não se assuste com esses números! Será comum empresas terem à disposição mais de 65 mil redes com 16 quintilhões de endereços disponíveis cada uma. Mesmo sendo em uma rede ponto-a-ponto, é aconselhável reservar um /64.
Mas, lembre-se: isso é apenas uma recomendação.
Resumo
Segue abaixo, um resumo das diferenças entre os protocolos IPv4 e IPv6:
IPv4 IPv6
32 bits 128 bits
Cabeçalho complexo (12 campos, entre 20 e 60 bytes) Cabeçalho mais simples (8 campos fixos, 40 bytes, podendo ter cabeçalhos de extensão)
Distribuição aleatória Distribuição hierárquica
IPsec opcional IPsec obrigatório
ARP ICMP (problema em bloquear input no firewall - RFC 4890)
DHCP Autoconfiguração e DHCP (stateless, statefull)
Possível conflito de IP Não há conflito de IP (a segunda máquina fica sem acesso)
Uso de NAT Não necessita de NAT
Roaming com alteração de IP Roaming sem alteração de IP
Fragmentação do pacote em todo o trajeto Fragmentação do pacote apenas na origem
QOS baseado em aplicação QOS nativo no protocolo
Frames de 1500 bytes Frames de até 4 gigabytes (jumbo frame)
Faz broadcast Não faz broadcast (anycast)
O primeiro e o último endereço da VLAN são reservados Todos os endereços da VLAN podem ser usados
Rede mínima com 2 hosts (/30) Rede mínima com 16 quintilhões de hosts (/64)
Quando será a virada?
Não há uma data para a implantação do IPv6.
A migração será um processo e ocorrerá aos poucos. Durante algum tempo, as máquinas terão dois protocolos, o IPv4 e o IPv6, algo semelhante ao que ocorreu quando as empresas migraram da rede Netware para a Windows NT nos anos 90; por um momento, os equipamentos tinham dois protocolos: o IPX, o NetBIOS e, às vezes, tinham também o IPv4.
Como sabemos, não há mais endereços IPv4 disponíveis no IANA. Na APNIC, que cuida da Internet na Ásia, também não há mais endereços disponíveis. Ou seja, não vai demorar para aparecerem máquinas apenas com endereços IPv6.
E é aí que a coisa complica. Como fazer uma máquina só com IPv6 conversar com outra somente IPv4?
E se você acha que isso não lhe diz respeito, na empresa onde trabalho, temos uma parceria com a Sony japonesa. E se eu não implantar o IPv6, mais cedo ou mais tarde, teremos problemas.
Endereçamento IPv6
Um endereço IPv6 contém 8 blocos de números hexadecimais, variando entre 0 e FFFF e separados do ":". Se você achava complicado trabalhar com números binários no IPv4, imagine agora!
Um IPv6 se parece com isso:
2001:0DB8:0000:25E2:0000:0000:F0CA:84C1
Como o endereço IPv6 é enorme e difícil de memorizar, há duas regras para abreviá-lo.
1.Em cada bloco, os zeros à esquerda podem ser omitidos. O endereço acima ficaria, assim:
2001:DB8:0:25E2:0:0:F0CA:84C1
2.Uma sequência de zeros pode ser abreviado com "::". Mas isso só pode ser feito uma única vez, para evitar ambiguidades. Por exemplo, o endereço acima pode ser escrito de duas formas:
2001:DB8::25E2:0:0:F0CA:84C1
2001:DB8:0:25E2::F0CA:84C1
Não é permitido abreviar duas vezes, para não causar dúvidas quanto ao endereço real. Por exemplo:
2001:DB8::25E2::F0CA:84C1
O endereço acima, poderia ser a abreviação dos dois endereços abaixo:
2001:DB8:0:25E2:0:0:F0CA:84C1
E:
2001:DB8:0:0:25E2:0:F0CA:84C1
Outra mudança importante, é na máscara de rede. No IPv4, o endereço 192.168.0.1/16 também pode ser escrito como 192.168.0.0/255.255.0.0. No IPv6, somente a primeira forma é aceita. Como exemplo, o endereço 2001:0db8:0:25e2::/64 está reservando 64 bits para rede, e 64 para host.
Aproveitando: para facilitar a compreensão, cada bloco do endereço IPv6 contém 16 bits. Cada número contém 4 bits.
O uso de ":", pode trazer complicações em site, pois no IPv4, a separação do endereço do host e da porta usada pela aplicação, é feita com o caractere ":". Por isso, ao acessar um site através do seu endereço IPv6, o endereço deverá estar separado por colchetes e deve se parecer com isso:
http://[2001:12ff:0:4::22]/index.html
http://[2001:12ff:0:4::22]:8080
Tipos de endereços
Os endereços IPv6, são classificados em 3 tipos:
Unicast :: usado para a comunicação com um único host.
Multicast :: usado para a comunicação com vários hosts.
Anycast :: usado em uma comunicação do tipo um-para-um-de-muitos. É o que mais se assemelha ao broadcast.
→ Endereços Unicast:
Não especificado.
Quando a interface de rede está sem nenhum endereço IPv6. É semelhante ao endereço 0.0.0.0 do IPv4.
::0 (ou somente ::)
→ Loopback:
É semelhante ao loopback do IPv4. Seu endereço é:
::1
→ Link Local:
É usado para a autoconfiguração. Sua função é semelhante ao endereço 169.254.0.0/16 do IPv4. Esse endereçamento é usado nas comunicações locais, principalmente nas descoberta de vizinhança, que veremos mais adiante.
Toda interface de rede deve ter um endereço Link Local. Um endereço Link Local deverá pertencer ao seguinte intervalo:
FE80::/64
→ Unique local:
É semelhante aos endereço privados IPv4 (192.168.0.0/16, 172.16.0.0/20, 10.0.0.0/8). Esses endereços não são roteáveis na Internet. Você pode ter VLANs distintas comunicando-se através desses endereços.
Seu uso não é obrigatório, como o Link Local. O intervalo Unique local, é:
FC00::/7
→ Global unicast: Semelhante ao endereço público IPv4. É esse endereço que deverá ser usado para navegar na Internet. Por exemplo, o endereço IPv6 do DNS do Google, é:
2001:4860:4860::8888
→ IPv4 mapeado:
É usado em técnicas de transição, onde máquina somente IPv4, precisam se comunicar com máquina somente IPv6. O formato do endereço, é:
::FFFF:a.b.c.d
Onde: a.b.c.d, é o endereço IPv4.
→ 6to4:
A rede 6to4 é usada para permitir uma comunicação IPv6 sobre uma rede IPv4. É uma forma de disponibilizar endereços IPv6 para clientes quando estes não possuem IPv6 nativo.
Esses túneis só devem ser usados em casos onde a provedora de Internet não fornece endereços IPv6, pois a latência é grande. O rede IPv6 reservada para isso, é:
2002::/16
→ Teredo:
A rede Teredo foi criada pela Microsoft e é usada para disponibilizar endereços IPv6 através de túneis IPv4. O Teredo está habilitado nas estações Windows Vista ou mais recente.
Também sofre uma alta latência. Por isso, quando você disponibiliza um site via IPv6, este poderá parecer mais lento para seus clientes Windows, pois estes passarão a acessá-lo através do túnel Teredo.
* Lembre-se de que o DNS, por padrão, dá preferência aos endereços IPv6.
A rede Teredo possui o seguinte intervalo:
2001::/32
→ Endereço de documentação:
Quando se está escrevendo documentação sobre IPv6, a rede 2001:db8::/32 deverá ser usada como exemplo. Essa rede não é roteada na Internet. Ela é definida em RFC como endereço de documentação.
→ Endereços obsoletos:
FEC0::/10 - semelhante ao Unique Local. Não deve ser usado.
::wxyz - semelhante ao IPv4 mapeado. Não deve ser usado.
3FFE::/16 - testes da rede 6Bone, que foi desativada em 2006. Não deve ser usado.
→ Endereços Anycast:
Um endereço anycast, é utilizado para identificar um grupo de interfaces, porém, com a característica de que o pacote será enviado apenas para o host que estiver mais próximo da origem. É usado para descobrir serviços na rede, como roteadores e servidores DNS, e para redundância e balanceamento de cargas.
Esse endereço deve ser formado pelo prefixo da sub-rede mais uma sequência de zeros. Ex.:
2001:DB8:CAFE:DAD0::/64
Também foi definido uma rede anycast para suportar a mobilidade IPv6. Neste caso, o endereço terá a seguinte estrutura:
2001:DB8::DFFF:FFFF:FFFF:FFFE
→ Endereços Multicast:
Seu funcionamento é semelhante ao Multicast IPv4. É usado para a comunicação 1 para N, ou seja, quando um pacote deve ser entregue a vários hosts, mas não a todos.
Stream, video conferência e jogos online, são exemplos de aplicações que se beneficiam dessa tecnologia.
FF00::/8
Abaixo, listo alguns endereços de Multicast definidos:
FF01::1 - todas as interfaces (all nodes)
FF01::2 - todos os roteadores (all routers)
FF02::1 - todos os nós (all nodes)
FF02::2 - todos os roteadores (all routers)
FF02::5 - todos os roteadores OSPF
FF02::6 - todos os roteadores designados
FF02::9 - todos os roteadores RIP
FF02::D - todos os roteadores PIM
FF02::1:2 - agentes DHCP
FF02::1:FFXX:XXXX - solicited-node
FF05::2 - todos os roteadores (all-routers)
FF05::1:3 - servidores DHCP
FF05::1:4 - agentes DHCP
FF0X::101 - NTP
Alocação de endereços IPv6
Apenas 13% dos endereços IPv6 foram liberados para uso, de 2000:: até 3FFF::. Cada RIR recebeu do IANA uma rede /12.
A rede destinada para o LACNIC, é 2800::/12. Os ISP recebem no mínimo uma rede /32. O NIC.br recomenda que às empresas, sejam passadas redes /48, e pessoa física receba /56 ou /64.
A rede mínima recomendada é /64, pois vocês verão mais à frente, que a autoconfiguração stateless do IPv6 depende disso.
Quem está entrando agora um mundo IPv6, achará estranho disponibilizar uma rede /64, e ainda mais /56, para usuários domésticos. Com uma rede /64, o usuário poderá ter cerca de 16 quintilhões de dispositivos em sua rede! Isso mesmo, 16 quintilhões!
Ou, se preferir a analogia, cada habitante do mundo terá a sua inteira disposição, o equivalente a 4 bilhões de Internets IPv4. Com um /56, serão 256 redes distintas com 16 quintilhões de endereços IPv6 cada uma, todas para um único usuário!
Exagero? Pode ser, ainda mais quando lembramos de que no começo da Internet várias empresas tinham à sua disposição 16 milhões de endereço, e acabou faltando IPv4. Mas, isso mostra que o IANA está de olho na Internet das coisas, e o IPv6 está pronto para ela.